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OPINIÃO/CRUZEIRO: MOBILIDADE NÃO É NEGÓCIO A METRO

Escrito por em Março 20, 2018

Mobilidade não é negócio a metro

Na semana passada, o presidente do conselho de administração do Metropolitano de Lisboa confirmou que o projeto de expansão da rede do metro não vai ser direcionado para as periferias. Na audição parlamentar, o responsável pela empresa pública de transportes garantiu que a criação da linha circular será uma realidade, com a construção das estações da Estrela e Santos e ligando-as ao Cais do Sodré, até 2023.

A preocupação com a mobilidade dos milhares de pessoas que todos os dias utilizam a linha amarela do metro a norte do Campo Grande não foi a linha orientadora do processo de tomada de decisão. Segundo o presidente do Metropolitano a criação da linha circular justifica-se com o potencial de crescimento do número de passageiros, ao custo desse projeto de alargamento em comparação com outras possibilidades e aos ganhos operacionais.

A linha verde tornar-se-á no eixo central da rede do metro, deixando a linha amarela numa posição marginal. Com as alterações previstas, a linha amarela passará a ter circulação entre Odivelas e Telheiras, forçando a esmagadora maioria das pessoas que entram/saem da rede do Campo Grande em direção a Lisboa a fazer pelo menos um transbordo. Quem diariamente tem necessidade de efetuar mudanças de linha sabe quanto pode complicar-se o seu quotidiano. Nas horas de ponta, o acesso à linha circular no Campo Grande tornar-se-á extremamente complicado, pois atualmente os comboios das linhas verde e amarela já circulam praticamente cheios. Fora desses períodos, as viagens de quem acede à rede através das restantes estações da linha amarela ficarão bem mais demoradas.

As populações de Odivelas e dos concelhos limítrofes de Lisboa recorrem ao metro como forma de fazer face às suas necessidades de deslocação quotidianas. Em 2017, a estação de Odivelas foi a terceira da atual linha amarela que movimentou mais pessoas, ficando apenas atrás das estações do Campo Grande e de Entre Campos, com 7364376 passageiros. Este nível de utilização do transporte público tem que ser potenciado e não limitado, por forma a garantir que quem tem de efetuar os movimentos pendulares entre a capital e a periferia não é vetado a mais exclusão.

Desde que o metro chegou a Odivelas as carreiras da Rodoviária de Lisboa têm vindo a ser eliminados, até à (quase) inexistência atual. As estações de Odivelas e do Senhor Roubado tornaram-se em pontos fulcrais de acesso à rede de metro. Exemplo disso é também a ocupação dos parques de estacionamento junto a essas estações e a ideia de transformar o estacionamento do Senhor Roubado num dos parques dissuasores de Lisboa.

A mobilidade na área metropolitana de Lisboa tem de ser pensada de forma integrada, em função das reais necessidades de quem aqui vive e trabalha e não em função dos resultados económicos de qualquer empresa. Do Metro as populações têm que exigir mais e melhor serviço público, enquanto que dos políticos exigimos decisões que promovam a mobilidade social, económica e ambientalmente sustentável das e dos cidadãos.

De todas e todos nós espera-se a união em defesa da ligação direta de metro de Odivelas ao centro da cidade, valorizando o serviço público e sem cair na armadilha do discurso da rentabilidade. O direito à mobilidade é inalienável e não podemos aceitar que seja jogado num circulo verde, que não responde às obrigações do serviço público e nem sequer protege os direitos de quem trabalha na empresa.

Luís Miguel Santos

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