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Sobre a Guerra na Ucrânia …

Escrito por em Março 25, 2022

Sobre a Guerra na Ucrânia …

OPINIÃO

Por Augusto Costa

 

Loures 25 Março 2022 – Passada a emotividade inicial, posso regressar a uma análise mais fria dos acontecimentos a que todos temos vindo a assistir, a invasão da Ucrânia.

John Mearsheimer, assim como Noam Chomsky, têm em comum para além da craveira intelectual, serem ambos de ascendência judaica, estarem os dois velhos e as suas posições anti-americanas.

A velhice cristaliza o nosso cérebro e as nossas articulações. Por isso não há praticamente velhos amantes de revoluções, nem nunca houve velhos com teorias inovadoras sobre o que quer que seja. Contudo, esta cristalização não deveria impedir a clareza de visão!

As suas visões são um bem para os países democráticos, pois é exatamente isso que impede o “pensamento único” e torna as democracias diferentes das ditaduras.

Mas vamos ao que interessa. A crise atual da Ucrânia.

Proponho a visão de um interessante vídeo do John Mearsheimer, disponibilizado já depois da invasão da Ucrânia

O vídeo é útil porque Mearsheimer, dá-nos uma outra visão do conflito e é perfeitamente explicito na defesa das suas ideias.

Quanto a Noam Chomsky (faz 94 anos este ano), também tem um vídeo sobre o tema da Ucrânia, mas, ainda disponibilizado antes da invasão russa, que merece ser visto:

Depois Chomsky calou-se … há um mês que não fala…

Voltando a Mearsheimer, as razões da minha discordância com a sua análise prendem-se, “apenas”, com o seguinte e são razões de fundo, pois creio que terá razão em muitos detalhes – inclusive sobre a pressão que a NATO vem fazendo sobre a Rússia há muito tempo. Toda a sua argumentação vai no sentido de desculpar e entender Putin! Aliás grande parte das razões para a intervenção são as que Putin invoca, como se não soubéssemos quem é Putin e qual a sua história. Poderíamos aplicar o mesmo a Hitler, na II Guerra Mundial. Chamberlain, e Daladier, também quiseram entender Hitler e as suas “justas” razões.

O seu raciocínio está baseado na existência de blocos de influência (como no pós-guerra entre o comunismo e o mundo ocidental) e em que a “vontade popular” não interessa para nada, como se o despótico governo russo pudesse ser comparado com uma democracia americana ou ocidental (com todos os seus defeitos).

O enfoque dele é sobre o líder da Ucrânia (Zelensky – que vai sacrificar o povo) ignorando que será o povo Ucraniano que quer ser independente e não ter um governo pró – russo. Os Ucranianos não estão a lutar obrigados, tanto quanto podemos avaliar. Senão a resistência já teria acabado.

Por outro lado, Mearsheimer, fala do “povo russo” e das suas aspirações… do mesmo modo como poderíamos falar do “povo alemão” e das suas aspirações de dominar a Europa em 1940, exterminar os judeus e transformar a Rússia no seu celeiro… !!!!!

Segundo a sua lógica, não seriam estas “aspirações justas” do povo alemão nazi na altura, pois Hitler não fez tudo sozinho evidentemente? Foi este argumento do Mearsheimer que me fez gelar! Que argumentação é esta?????

As “aspirações do povo russo” que nem sei se não serão só as do ditador Putin e do seu séquito???

Agora umas quantas questões que nunca vi respondidas por quem defende estas posições pró-Putin ou Putino – desculpabilizantes.

Diz o autor que a invasão tem a ver a adesão da Ucrânia à NATO. Ora isso está desmentido pelos factos. Zelensky já admitiu tirar essa pretensão da Constituição ucraniana e fazer da Ucrânia um país neutro. Por acaso parou a invasão por causa disso? Não!

Por acaso a desintegração da URSS e de todo o bloco de Leste entre 1898/91 (essa maravilhosa experiência social que muitos apoiaram e apoiam ainda), resultou de uma intervenção militar da NATO?

Mearsheimer e Chomsky, falam como se os países da NATO fossem obrigados a pertencer à organização e fossem os EUA que os tivessem ocupado para os obrigar pertencer. Em todos os países da NATO que se saiba – na atualidade – existem governos democráticos eleitos pelo povo e que preferem estar nessa Aliança (não sei porquê – mas é um facto).

E a Suécia e a Finlândia – sempre países neutros – também foram atacados agora pelo vírus da NATO? Porque colocam agora a hipótese de aderir?

Uma conclusão parece óbvia. Putin nunca teria invadido a Ucrânia se este já estivesse integrado na NATO.

Por outro lado, basta ver os países que apoiaram a Rússia na invasão para não restarem dúvidas:

  • Coreia do Norte
  • Síria
  • Bielorrússia

Tudo isto parece ser uma luta entre dois blocos ideológicos.

Um que, com todos os defeitos e ingenuidade interesseira do dinheiro, ignorou os oligarcas russos e com eles fez negócios até há bem poucas semanas, mas que empunha o facho da liberdade que começou na Grécia, exaltando o indivíduo contra o Império Persa – ameaçador e esmagador;

Um outro bloco sinistro que engloba cleptocracias onde o indivíduo está completamente à mercê de um estado totalitário que tudo controla e tudo quer dominar.

Falo da China, da Rússia e da Coreia do Norte e similares. Não foi por acaso que Putin e Xi Jinping, tiveram que modificar as suas próprias Constituições para se perpetuarem no poder. Mas foi o Ocidente democrático e “negociante” que criou estes dois monstros: A Rússia e a China atual – especialmente deixando entrar este país (onde existe ainda trabalho escravo) na OMS (Organização Mundial do Comércio), em 2001 e compra os seus produtos e investe lá!

Os regimes totalitários são uma ameaça para a paz mundial! Com todos os seus defeitos só as democracias têm dentro de si a capacidade de virar as suas opiniões públicas contra aqueles que os governam e que poderão ou não entrar em guerras injustas (vide Vietnam e Iraque). O que é manifestamente impossível numa ditadura que só mostra os factos que quer onde a opinião pública está totalmente controlada.

Sobre a PAX AMERICANA apenas um exemplo coreano (1950-1953)

Quando os “patriotas comunistas” do Norte invadiram o Sul para os “libertar do jugo capitalista e imperialista”, os EUA intervieram no âmbito da ONU. Após avanços e recuos o resultado foi um “empate técnico” devido à “ajuda dos voluntários chineses” que, sob a proteção atómica de Stalin evitaram o colapso da Coreia do Norte.

As tropas americanas tiveram de recuar até ao paralelo 38 – onde hoje persiste a fronteira entre os dois estados – Coreia do Norte e Coreia do Sul.

https://en.wikipedia.org/wiki/Korean_War

Temos que no final da guerra em 1953 consolidaram-se duas repúblicas totalitárias uma ditadura no sul apoiada pelos americanos e uma ditadura comunista no norte apoiada pela China e URSS.

O que temos hoje, 70 anos depois?

Aqui a História pode funcionar como laboratório.

A região apoiada pelo “imperialismo americano” – a Coreia do Sul – é um dos países mais prósperos do mundo e evoluiu da ditadura para a democracia com eleições livres e uma imprensa livre.

A Coreia do Norte tornou-se naquilo que já era e que todos nós sabemos: um país miserável, totalitário, militarizado, que brinca com foguetões perto dos seus vizinhos. O próprio regime evoluiu para uma monarquia hereditária… e diz-se comunista!

Mais palavras para quê?

Se Bernardino Soares (em quem eu votei para as Autárquicas), tem dúvidas sobre se a Coreia do Norte, é ou não uma democracia (????), os comunistas poderiam ter o decoro de numa manifestação pela PAZ na UCRÂNIA neste fim de semana em FARO, evitarem estandartes com o seguinte “nonsense”: “PELA PAZ NA UCRÂNIA. ABAIXO A NATO”

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