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OPINIÃO/CRUZEIRO: VIVER EM ODIVELAS “É BOM” E AINDA MAIS CARO

Written by on Fevereiro 27, 2018

Viver em Odivelas «é bom» e ainda mais caro

O mercado da habitação no concelho floresce, no entanto, procurar casa em Odivelas, para comprar ou, principalmente, para arrendar, é uma verdadeira aventura.

A oferta é reduzida e a que existe é muito cara e com pouca qualidade. Na terra que se diz de todos e com a maior taxa de natalidade do país, encontrar condições para alguém aqui se fixar, começa logo mal, por não conseguir um teto onde dormir, a preços comportáveis.

Recentemente, foi noticiado que o metro quadrado em Odivelas é do mais caro do país. Segundo dados do INE, em 2017 o valor das avaliações das casas para concessão de crédito bancário cresceu mais de 16%, tendo-se fixado nos 1661€/m2. Odivelas tornou-se assim no segundo concelho do país com metro quadrado mais caro, só ultrapassado por Lisboa.

A par da escassez de oferta de habitação permanente no concelho de Lisboa, a inexistência de um mercado de arrendamento com custos suportáveis, a subida do valor das casas deixa perceber que o betão esconde uma realidade ainda mais cinzenta.

A precariedade laboral, os baixos rendimentos daqueles que trabalham que não permitem o recurso ao crédito bancário ou quem não pretende ser proprietário da sua habitação vê-se praticamente impedido de arrendar uma casa na terra das oportunidades. No mercado de arrendamento, em Odivelas facilmente uma habitação com três assoalhadas supera o valor do Salário Mínimo Nacional.

Esses constrangimentos afetam de forma mais dramática famílias monoparentais e jovens. A forma que muitas dessas pessoas encontram para aguentar os custos com a sua habitação é escolher casas em zonas mais periféricas, com menor oferta de transportes ou, não raras vezes, optarem por casas com pouca qualidade e que não respondem às suas necessidades.

Ao mesmo tempo que as pessoas não encontram a casa que necessitam, a um custo que consigam suportar, o encarecimento da habitação provoca danos graves no urbanismo. No segundo concelho do país com o metro quadrado mais caro basta olhar para os núcleos históricas das diferentes freguesias e perceber o abandono e a degradação a que essas áreas foram vetadas pelo mercado e pelos poderes públicos.

Pese embora a habitação seja um direito constitucionalmente garantido, ainda há tanta gente sem casa e tanta casa sem gente. Em Odivelas não se sabe quantas são as casas vazias, mas o certo é que são muitas. Há meia-dúzia de anos, a Presidente da Câmara Municipal de Odivelas disse que estimaria que fossem 10000 as casas desocupadas no nosso concelho.

Sem políticas públicas de reabilitação do edificado, que promovam a habitação permanente nos centros urbanos, e sem um programa de apoio ao arrendamento com custos controlados, será mais difícil viver em Odivelas.

Nota: as questões da habitação social, das políticas públicas de realojamento e do fim dos bairros de barracas não foram abordadas neste artigo propositadamente, pois merecerão uma reflexão específica mais adiante.

Luís Miguel Santos