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OPINIÃO/CRUZEIRO: REGRESSO AO PASSADO

Escrito por em Março 6, 2019

Regresso ao Passado

Estimadas e estimados ouvintes da Rádio Cruzeiro, ao contrário do senso comum – algo que teimo não adoptar – tenho o hábito de amiúde regressar a locais onde já fui feliz.

O facto é que desde 04/10/2014 a 05/07/2017 tive o privilégio de reflectir 116 vezes sobre outros tantos temas com o auditório da Rádio Cruzeiro. Neste regresso procurarei, mais uma vez, cumprir o desiderato inicial que me foi apresentado pelo Luís Monteiro quando me convidou para este espaço. Assim, neste espaço de opinião, livre, construtivo, expositivo e eventualmente propositivo procurarei de novo trazer ao auditório da Radio Cruzeiro, temas que se relacionam com a vida do concelho de Odivelas, ou com interesse para os odivelenses. Procurarei ainda que as opiniões sejam contagiadas por todas as formas de pensamento que considerar pertinentes.

É do conhecimento de muitos o meu envolvimento pessoal no processo que envolve a amputação da Linha Amarela do Metro. Noutros momentos cuidarei de com maior pormenor regressar a este tema. Todavia, hoje a forma como se tem desenrolado este processo serve de musa inspiradora ou quiçá de medusa inspiradora. Já lá iremos…

Quem acompanha medianamente as notícias verifica a constante referência ao crescimento de movimentos sociais e políticos extremistas que revelam, em si mesmo, um claro recrudescimento das democracias.

O facto é que o crescimento de qualquer força política pela via democrática ocorre pela via do voto, i.e., do reconhecimento do eleitorado neste ou naquele projecto e/ou doutrina política. Aqui chegados, temos de reconhecer que se os partidos de matriz totalitária têm subido, quer nas intenções de voto, quer nos votos e em número de eleitos, tal se deverá directamente ao facto de terem sido capazes de arrebatar votos que não lhe eram confiados.

Por tal teremos de nos indagar: De onde vêm esses votos? De onde vem essa nova base de apoio?

Sem querer ser exaustivo, vislumbro por um lado a adesão por doutrinação de novos eleitores, logo no inicio da maioridade, mas terei de considerar que o grosso das novas adesões advém de eleitores que até há pouco militavam ou pelo menos se reviam nos chamados partidos moderados.

Assim sendo, teremos de voltar a questionar-nos: O que impele um moderado a transitar e a posicionar-se junto de partidos de cariz totalitário?

Muitas explicações existirão, contudo hoje convido todas e todos à reflexão sobre os empurrões que a democracia tem dado a esses eleitores para se deslocarem para os partidos até há pouco bem distantes do Poder.

Faça-se este exercício: Durante muitos anos alguém faz as compras sempre no mesmo sitio, todavia a partir de determinada altura muda de loja. Tal sucederá sempre que a loja de sempre deixe de atender e servir como gosta e espera que aconteça. Com a política não é diferente, ainda por cima quando há muito as simpatias e proximidades políticas deixaram de acontecer por razões doutrinárias.

Pelo estudo da História ou pela conversação com familiares ou amigos mais velhos todos sabemos quais os riscos dos totalitarismos, mas ainda assim muitos de nós têm escolhido passarem essa linha vermelha e juntarem-se a essas falanges obscuras que regressam diligentemente do passado, com pose de salvadores.

E fazem-no porque amiúde as democracias deixaram de responder aos anseios naturais das pessoas. Pior é verificar que lideranças políticas fazendo recordar o pior dos tempos dos absolutismos teocráticos, têm impelido os cidadãos para esferas subalternas infantilizantes.

A essas supostas elites dirijo o meu apelo e advertência para que parem de crer e agir como se a democracia fosse um mero conjunto de regras e rituais cerimoniais onde o seu grande sabat se realiza de 4 em 4 anos nas urnas. Não basta afirmar que temos um “regime democrático” para que a democracia aconteça.

Não faz sentido procurarem os votos dos eleitores e depois governarem sem considerarem as suas ambições, as suas necessidades e acima de tudo sem levar em linha de conta aquilo que ainda assim eles vos vão dizendo.

Infelizmente assim acontece com negociações com os sindicatos que mais não são do que um mero cumprimento de agendas impostas pela lei.

Infelizmente assim acontece quando com o erário público alimentam despudoradamente a banca, grandes grupos com quem assinam PPPs e contratos swapps e de seguida depauperam o Estado Social, seja na educação, na saúde, na segurança, nas remunerações, nas aposentações e nas pensões devidas.

Infelizmente assim acontece quando escolheram desnecessariamente prejudicar os utilizadores da Linha Amarela do Metro e ao invés de ouvir o que os cidadãos têm a dizer, desencadeiam campanhas de contra-informação e ousadamente teimam e voltam a teimar no logro.

Sim, o regresso ao passado acontece porque com práticas desse mesmo passado as lideranças ditas democráticas empurram os cidadãos para tal.

Senhor Presidente da República ao invés de selfies, procure garantir o cumprimento de Portugal;

Senhor Primeiro-Ministro e Ministros, ao invés de certezas absolutas, procurem o conhecimento e o envolvimento;

Senhores Autarcas, em especial o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Odivelas, ao ir no canto da sereia que parece impeli-lo Calçada de Carriche acima, não esqueça o que realmente são as sereias;

Em suma:

  • Aos eleitos: Não sejam – como estão a ser – os coveiros da democracia!
  • Aos Cidadãos: Se necessário for voltem a erguer os estandartes da democracia em todos os patamares onde possam ser intervenientes!

Recusemos o regresso ao passado triste, analfabeto, pobre, a preto e branco e sem liberdades!

Estimad@s amig@s, como é sabido, poderão encontrar esta e outras reflexões no site da Rádio Cruzeiro.

Por mim, procurarei estar convosco daqui a uma semana, para mais uma reflexão, neste mesmo espaço.

Até lá!

 

Paulo Bernardo e Sousa