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OPINIÃO/CRUZEIRO: A MULHER DE CÉSAR E A DÍVIDA

Written by on Abril 23, 2018

VAMOS LÁ POR PARTES

A mulher de César

Conforme se costuma afirmar à mulher de César não basta parecer séria.

Vem este texto a propósito do tema que o Expresso lançou, e que já fez vir a terreiro o presidente da Assembleia da Republica e o próprio Presidente da Republica afirmando este que não se pronuncia pois é a favor da separação de poderes. Achei graça, meu caro Marcelo Rebelo de Sousa a esta sua afirmação, que pode fazer de primeiro-ministro todos os dias mas não pode pronunciar-se sobre questões de ética dos senhores deputados. Mas, vamos ao que interessa: como é possível que ainda se discuta porque razão alguns deputados recebem dois subsídios para fazer a mesma viagem. Ouvi Carlos César dizer que não é ilegal e tem toda a razão mas é altamente imoral, imoral, imoral!!!!

Os senhores deputados eleitos pelas regiões autónomas recebem um subsídio para se deslocarem todas as semanas às regiões que os elegeram o que me parece correcto, mas depois, pegam nos bilhetes e usam a figura do “subsídio especial de mobilidade” para reaverem parte do dinheiro! Mas a novela não ficou por aqui, segundo parece, um deputado do BE veio anunciar que face a esta situação renunciava ao seu mandato, quando essa mesma renuncia já tinha sido anunciada uns dias antes! A isto chama-se falta de ética! Uma palavra para a deputada do PSD que recusou entrar por estes caminhos: bem-haja senhora deputada Rubina Bernardo! Bem-haja ao afirmar que: “considero que não é ético acumular dois subsídios de mobilidade”.

Paga o que deves

A divida portuguesa está a aumentar. Contrariamente ao que nos querem fazer querer a mesma divida cresceu 0.8% em 2017.

Portugal tem neste momento uma divida a rondar os 240 mil milhões de euros. O actual orçamento de estado suporta um valor de 8000 milhões de euros de juros da divida publica. Façam as contas ao dia ou à hora e vejam os valores que se obtêm. Convêm pois ter cautela e caldos de galinha. Estamos a viver de juros baixos e de maiores resultados a nível de impostos devendo-se este último, resultado, ao aumento da actividade económica.

Basta os juros crescerem 1% e temos mais 400 milhões a pagar! Perante este cenário a proposta de Mário Centeno de não entrarmos em gastos exagerados faz todo o sentido. Entendo que a saúde, a educação e outros factores estruturais precisam de mais dinheiro por parte do Estado mas os aumentos que estão a ser pedidos assumem ar de pornográficos quando ainda não retiramos a corda da garganta. Esta acérrima discussão que temos assistido nos últimos tempos a propósito do défice para 2018 não faz sentido, não faz aliás qualquer sentido. Como é possível o BE querer uma défice de 1,1% para o ano corrente, contra os propostos de 0,7%, quando recentemente tivemos um défice em 2017 na ordem os 0,9% ?

José Barão das Neves