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MORREU KURT WESTERGAARD AUTOR DAS CARICATURAS DE MAOMÉ

Written by on Julho 20, 2021

Morreu, aos 86 anos, vítima de doença prolongada o dinamarquês Kurt Westergaard, caricaturista célebre que enfureceu mundo muçulmano

 

Copenhaga 19 Julho 2021 – Morreu, aos 86 anos, vítima de doença prolongada o ilustrador dinamarquês Kurt Westergaard, caricaturista célebre que enfureceu mundo muçulmano.

 

Kurt Westergaard, morreu quando dormia depois de doença prolongada, disse a família ao jornal Berlingske. O desenhador ficou conhecido por 12 desenhos publicados em 30 de Setembro de 2005 pelo diário conservador dinamarquês Jyllands-Posten com o título “O rosto de Maomé”. O seu trabalho provocou protestos violentos, vários atentados e assassinatos.

As caricaturas mostravam Maomé com um turbante em forma de bomba. Um trabalho que pretendia marcar uma posição sobre a autocensura e as críticas do Islão.

 

O Desenho da discórdia

Os desenhos foram publicados, em 2005, pelo jornal conservador dinamarquês “Jyllands-Posten”, onde Kurt Westergaard trabalhava desde o início da década de 80 do século passado.

O governo dinamarquês recebeu queixas, de embaixadores de países de maioria muçulmana, O país ficou com embaixadas a serem atacadas e dezenas de pessoas morreram em tumultos.

Kurt Westergaard, foi ameaçado de morte, viveu os últimos anos em local desconhecido sob proteção da polícia.

Os serviços secretos dinamarqueses revelaram, em 2008, a prisão de três pessoas acusadas de planear o seu assassinato. Em 2010, um cidadão somali foi detido por tentativa de homicídio e terrorismo após ser apanhado armado com uma faca na casa de Westergaard. Acabou condenado, em 2011, a nove anos de prisão.

A violência ligada às caricaturas culminou em 2015 com um atentado que fez 12 mortos no semanário satírico “Charlie Hebdo” em Paris, que tinha usado as caricaturas três anos antes.

Cronologia da crise das caricaturas de Maomé

2005

30 de Setembro: o jornal conservador Jyllands-Posten, o de maior tiragem da imprensa dinamarquesa, publica 12 caricaturas com o título de “As faces de Maomé”. Os representantes da comunidade muçulmana na Dinamarca exigem a retirada das charges e um pedido de desculpas oficial.

12 de Outubro: o redator-chefe do Jyllands-Posten afirma ter recebido ameaças de morte.

14 de Outubro: milhares de pessoas gritam “Só existe um Deus e Maomé é seu profeta” numa manifestação em Copenhaga.

20 de Outubro: onze embaixadores de países muçulmanos na Dinamarca protestam contra a publicação das caricaturas. O primeiro-ministro, Anders Fogh Rasmussen, nega-se a recebê-los.

29 de Dezembro: os ministros árabes das Relações Exteriores reunidos na sede da Liga Árabe, no Cairo, “rejeitam e condenam este ataque contra a santidade das religiões, dos profetas e dos nobres valores do Islão”.

2006

5 de Janeiro: Dinamarca e Liga Árabe decidem distribuir nos países árabes uma carta do primeiro-ministro dinamarquês que, embora defenda a liberdade de expressão, condena “toda ação ou declaração que trate de demonizar determinados grupos devido à sua religião ou etnia”.

10 de Janeiro: a revista cristã norueguesa Magazinet publica as caricaturas em nome da “liberdade de expressão”, com a autorização do Jyllands-Posten.

21 de Janeiro: a União Internacional de Ulemás Muçulmanos ameaça no Cairo incitar “milhões de muçulmanos do mundo a boicotar os produtos e as atividades dinamarquesas e norueguesas”.

26 de Janeiro: Arábia Saudita decide pelo retorno do seu embaixador em Copenhague para consultas. A empresa de lacticínios sueco-dinamarquesa Arla Foods começa a sofrer os efeitos do boicote na Arábia Saudita, que rapidamente se estende para Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e para a região do Magreb.

30 de Janeiro: os países escandinavos anunciam medidas para proteger os seus cidadãos residentes no Médio Oriente. O Jyllands-Posten pede desculpas aos muçulmanos ofendidos pelas caricaturas, numa carta à agência jordaniana Petra.

31 de Janeiro: a Magazinet pede desculpas aqueles que ficaram ofendidos com a sua iniciativa. Os ministros do Interior dos países árabes, reunidos em Tunis, pedem ao governo dinamarquês que “puna com firmeza” os autores das caricaturas.

1 de Fevereiro: vários jornais europeus publicam as caricaturas em nome da liberdade de imprensa.

4 de Fevereiro: as embaixadas da Dinamarca e da Noruega em Damasco são incendiadas.

5 de Fevereiro: os protestos violentos contra as caricaturas estendem-se pelo mundo árabe.

6 de Fevereiro: quatro manifestantes afegãos são mortos a tiro durante as manifestações de protesto, contra as caricaturas, em Mihtarlam e Cabul no Afeganistão. Na Somália morreu um outro manifestante e várias pessoas ficaram feridas em Bossaso, nordeste do país, durante um confronto entre as forças de segurança. Centenas de iranianos atacam as embaixadas da Dinamarca e da Áustria em Teerão, ao mesmo tempo em que a República Islâmica decide suspender as suas trocas comerciais com os dinamarqueses.

6 de Fevereiro: Os chefes de redação dos dois jornais jordanos que foram detidos em 4 de Fevereiro por terem publicado as caricaturas, e posteriormente foram libertados, voltaram a ser presos em Amã, depois do apelo do procurador-geral.

7 de Fevereiro: quatro manifestantes afegãos morrem durante o ataque a um campo da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) no Afeganistão administrado pelo exército norueguês em Maimana, no norte do país.

7 de Fevereiro: Um turco de 16 anos é detido pelo assassinato, no dia 5, de um padre católico italiano em Trabzon, nordeste da Turquia. O canal NTV assegura que o jovem confessou ter matado o padre por causa das caricaturas.

9 de Fevereiro: o jornal dinamarquês Jyllands Posten pediu desculpas aos muçulmanos por ter publicado a série de 12 charges do profeta Maomé em carta transmitida à imprensa argelina por meio da embaixada da Dinamarca em Argel.

Nos últimos anos de vida, Kurt Westergaard, como outras pessoas associadas às caricaturas, tiveram de viver sob proteção policial num endereço secreto.


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