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Do Pão-por-Deus ao Halloween

Escrito por em Outubro 29, 2021

Do Pão-por-Deus ao Halloween

Paulo António Monteiro

 

Levado em 1800 por imigrantes irlandeses e escoceses para a América do Norte, o Halloween tornou-se nos nossos dias numa das celebrações mais populares do ano. Gera um volume de negócios só ultrapassado pelo Natal. A ligação histórica com o dia de todos santos tem vindo a perder-se e hoje é mais um pretexto para festas bem animadas.

As celebrações do Halloween passam-se um pouco por todo mundo, mas tem especial destaque nos países de língua inglesa como os Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido, têm origem nas celebrações dos antigos povos Celtas.

Para as crianças é uma oportunidade de se mascararem e deambularem pela vizinhança numa brincadeira onde batem ás portas e dizem aos moradores: “Trick ou Treat” (gostosuras ou travessuras), enchem assim um saco de guloseimas para satisfazer os seus apetites por doçaria. Nos Estados Unidos, 93 por cento das casas oferecem rebuçados e chocolates quando visitadas pelas crianças da vizinhança.

Embora a palavra Halloween seja uma versão curta da expressão inglesa “all hallow´s eve” que significa “véspera do dia de todos os santos”, feriado observado pela Igreja Católica. A tradição vem da antiga religião Celta Samhain, que mantinha o culto aos mortos e á deusa YuuByeol (símbolo antigo da perfeição Celta). Com a cristianização das Ilhas Britânicas, de maioria Celta, houve uma mistura dos costumes das duas religiões.

Em Portugal, muito antes da importação dos festejos do Halloween, há relatos de celebrações semelhantes conhecidas por Pão por Deus, onde é costume andarem grupos de crianças pelas ruas, nos dias 31 de Outubro e 1 e 2 de Novembro, a pedir doçarias várias.

Em Barqueiros, Mesão Frio, à meia-noite do dia 1 para 2 de Novembro, é posta uma mesa com castanhas para os parentes falecidos. Em Anadia, na freguesia de Vila Nova de Monsarros, as crianças iam de casa em casa e recebiam fruta e bolos, de um modo similar à tradição anglófona, cada criança transportava uma abóbora oca com figura de cara, iluminada por dentro por uma vela. Em Roriz, os rapazes vão pedir pelas portas, os chamados fiéis de Deus e são assim alimentados pelos moradores. Nos Açores, o peditório das crianças chama-se “caspiadas”, recebem bolos com o formato de uma caveira.

Nos arredores de Lisboa também é comum seguir esta tradição que, tinha também a função de relembrar as vítimas do terramoto ocorrido em Lisboa no ano 1755, onde os sobreviventes das zonas afetadas, tiveram que pedir “Pão-por-Deus” nos locais não afetados pela catástrofe.

Paulo António Monteiro

Opnião dos Leitores
  1. Fernando Ziegler Raimundo   Em   Outubro 29, 2021 em 5:36 pm

    Importante manter vivas estas tradições, pois são elas que preenchem os arquivos daquilo que nos ajuda a perceber quem somos hoje, enquanto entidades.
    Por vezes o endeusamento das novas tecnologias tende a menosprezar o valor da memória e da História. Aquelas, sendo importantíssimas enquanto instrumentos ao nosso serviço, não deverão nunca substituir os fins que nos propomos atingir.

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