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50 ANOS DEPOIS O SONHO DE MARTIN LUTHER KING CONTINUA VIVO

Escrito por em Abril 3, 2018

No dia 4 de Abril de 1968, o Nobel da Paz de 1964, Martin Luther King, morre ao ser baleado na varanda do hotel onde estava hospedado, em Memphis, nos Estados Unidos, mas o seu sonho continua vivo.

O país era considerado um  modelo de democracia e liberdade, mas seus habitantes eram classificados de acordo com a cor da pele. Os negros eram discriminados em todos os setores da sociedade, na política, na economia e socialmente. Na sua maioria eram impedidos de votar, eram chamados de “nigger” e “boy“, seu trabalho não era devidamente remunerado, e as agressões dos brancos eram rotina, em algumas cidades existia mesmo um regulamento que proibia os negros de cumprimentar os brancos.

Mas, em dezembro de 1955, em Montgomery, uma costureira negra, de 52 anos, chamada Rosa Parks, recusou-se ceder seu lugar no autocarro a um passageiro branco.

Parks foi presa e em consequência disso, Martin Luther King, apelou a um boicote dos aos autocarros por parte dos negros.  Num ano, tornou-se tão conhecido no país que assumiu a liderança do movimento negro norte-americano.

A coragem inabalável, a defesa da  luta pacífica e o gosto pelo diálogo franco foram  marcas determinantes no percurso de Martin Luther King.  Mas a  sua retórica era talvez o seu melhor dom. Capaz de mobilizar multidões emocionadas, foi crucial para a causa dos direitos civis nos Estados Unidos. A capacidade de cativar e inspirar as plateias transformou um movimento político-social numa luta pela elevação intelectual e espiritual de milhões de negros americanos.

Aqui reproduzimos parte de um dos seus discursos mais famosos proferido em Washington DC:

“Voltem para o Mississipi, voltem para o Alabama, voltem para a Geórgia, voltem para a Louisiana, voltem para as favelas e guetos de nossas cidades do norte sabendo que, de alguma forma, esta situação pode e vai ser mudada. Não nos arrastemos pelo vale do desespero. Digo-vos hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho de que um dia esta nação se vai  levantar e viver o verdadeiro significado de sua crença: ‘Consideramos essas verdades auto-evidentes: que todos os homens são criados iguais’. Eu tenho um sonho de que um dia, nas montanhas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos donos de escravos serão capazes de se sentarem juntos à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho de que meus quatro filhos um dia viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas sim pelo conteúdo de seu caráter (…). Quando permitirmos que a liberdade ecoe, quando permitirmos que ela ecoe em cada vila e cada aldeia, em cada estado e cada cidade, seremos capazes de avançar rumo ao dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar as mãos e cantar as palavras da velha cantiga negra, ‘Enfim livres! Enfim livres! Graças a Deus Todo-Poderoso, enfim estamos livres!’.”
(Eu Tenho Um Sonho, Washington, 28 de agosto de 1963)

https://www.youtube.com/watch?v=NrnvQ5OlGr8

A liberdade tem um preço alto e não é garantida, aqui e ali surgem resquícios dessa ignomínia que nos humilhou enquanto seres humanos, daí ser importante continuar a defender o sonho de Martin Luther King em todas as vertentes, no nosso dia a dia, nas empresas, nas associações ou em qualquer situação que nos encontremos.  Rosa Parks, porque não se calou, com a sua ação mudou a vida de milhões de americanos e inspirou bilhões no mundo inteiro, hoje tem uma estátua na sede do Congresso Norte Americano.

Não nos podemos calar perante a injustiça, até porque como o próprio dizia “O que preocupa não é o grito dos maus mas o silêncio do bons”. Ou como afirmou  Edmund Burke – Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada.

Esta semana O Vatican News entrevistou o Arcebispo Ivan Jurkovič, Observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas, em Genebra que afirmou sobre o Dr. King: “Certamente foi um personagem monumental na história da defesa dos direitos humanos. Pode-se dizer que com ele, teve início um “período novo”, seguido também por um desenvolvimento geral da sociedade e da democracia, entre outros. Provavelmente ficará para sempre entre os grande do século XX” e acrescentou ” O Papa acredita que o único futuro digno da pessoa humana é o que inclui todos. E nós devemos perseguir e defender esta visão, que é a de Martin Luther King: todos podemos ser felizes, mas isto acontece somente quando todos são incluídos: desde o último até ao mais privilegiado e vice-versa”.